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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Memórias de uma Guerra

 

(imagem retirada da net)

 

 

Pilar andava com vontade de ler mais uma carta, mas tinha percebido que Isabella o evitava.
Por isso algumas semanas se passaram antes que as duas amigas voltassem a mexer no tesouro, que tinham encontrado por acaso.
Uma caixa de cartão, cheia de vida, de emoções, de amor,desamor, felicidade, encontros e desencontros, traições e juras de amor eterno.
Isabella, também pensava varias vezes nas cartas, e uma noite, enquanto contavam a semana de trabalho uma á outra disse a Pilar:
- O que achas que devíamos fazer com estas cartas?
- Não sei, também tenho pensado nisso…
- Queres ler mais uma?
- Se prometeres que não choras, não gosto nada de te ver assim.. – respondeu Pilar a Isabella.

- Vou tentar.


Isabella abriu mais uma vez a caixa, os seus olhos brilharam, e o nervoso miudinho tomou conta dela.
Que iriam encontrar desta vez?
Enfiou a mão dentro da caixa, e teve uma surpresa:
- Pilar, nem acredito nisto que estou a ver…
- Então?
Isabella esticou a carta em direcção a amiga, era um envelope muito antigo, com selos de outro pais, cheirava a morte…sangue…guerra.
- Não é o que eu estou a pensar pois não??? – questionou Pilar.
- Acho que é, deixa-me ler...

 

  

Estimada  Maria da Luz.

 

Muito agradeço por me ter respondido, e acedido ao meu pedido de ser minha Madrinha...

Escrevo esta carta com o coração nas mãos... Por estes dias escapei por pouco a morte…
O nosso batalhão dirigia-se para fora do acampamento, quando sentimos que estávamos a cair numa emboscada.

Começaram a chover balas de todo o lado, o acampamento foi todo cercado, por nativos que não hesitavam em avançar a medida que íamos ficando mais fracos....
O barulho de tiroteio, as granadas, alguns gritos, um cheiro a morte terrível, a cada passo que dávamos deparamo-nos com alguém que nos era próximo, caído no meio do chão, senti-me impotente, só penso em sair daqui, pois sei que é quase certo ter o mesmo fim dos meus camaradas....
É impossível para mim descrever todo este ambiente, qualquer descrição que fizesse, não seria metade, do que realmente aqui se passa, é terrível...
Por favor, se receber esta carta, diga aos meus pais que por ora estou bem…
Se algum dia voltar ao meu pais, gostaria de a conhecer....
Obrigada pela sua amizade.


José António.


Pilar e Isabella ficaram apreensivas, sempre ouviram falar nas madrinhas de guerra, mas julgavam que era uma troca de cartas amorosas, entre soldados e raparigas solteiras...
Ali estava um relato vivo de uma guerra, que em tempos havia acontecido, cuja carta sobrevivera o tempo suficiente para ser encontrada por elas.

 

publicado por Raquel às 03:30
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